4 de maio de 2016

magic people


So many good things have happened to me because of the good people that are in my life, that some of them almost seem unbelievable.

Feeling so exausted and in extreme need of silence and nothingness, I kept dreaming about spending some days alone, in a resort. Unfortunately, my budget doesn't allow me to consider that!

Last week a friend of mine invited me to stay in a resort for 5 days and just chill out and watch the grass grow, laying on the sun, with a drink in my hand.

And today, while exchanging emails with the people I am spending the summer with, I understood that they are really worried about me for not staying longer. I'ts just amazing how life can bring us everything we need at the right time, if we are able to trust time.

I feel so blessed. I have such good feelings about all these things, people. It's magical for me. So much love.




3 de maio de 2016

do acaso

É impossível saber o momento em que damos ordem e significado ao que antes não era nada além da possibilidade de ser qualquer coisa. No papel, o vazio origina a forma. Do nada construímos tudo e às vezes não sabemos dizer porque foi, como foi, em que momento a dobra que fizemos na vida, nos levou a criar esta forma que existe agora.




1 de maio de 2016

becas

Há poucas certezas na vida e à medida que a vida avança vão havendo cada vez menos. Uma das certezas da vida é a finitude. Aprende-se que o tempo da imortalidade e da inconsequência acaba. Por isso, sei que tenho que vos guardar dentro de mim, na minha memória fotográfica interna, porque o tempo está a passar e daqui a pouco, já não vos vou levar à escola, nem parar no portão a arranjar os cabelos ainda meio despenteados, nem vão existir os sorrisos com dentes de poucos anos enquanto a mão acena um até logo e um ansioso "a que horas me vens buscar?".








30 de abril de 2016

encontros e partilhas

Em Outubro próximo comemoro 15 anos como professora no Ensino Superior. Ao longo de tanto tempo necessariamente muito mudou. Não só a própria estrutura do ensino superior, como a organização e metodologias das aulas.
A minha primeira aula, que recordo cada milésimo, foi dada em pânico. Era a primeira e eu era quase da idade deles. Nessa altura eu já não era aluna, mas também ainda não era professora. Esse limbo durou muito tempo. Encontrar o passo do caminho foi complicado para mim.
Embora se possa dizer, se olharmos apenas para o imediato e visível, que tudo mudou, na verdade nada mudou.
Há um dia que permanece.
A Queima das Fitas. O Adeus.
Sei, no dia que conheço cada um dos meus alunos, que em três anos (em média) me vou despedir dele. O olá que é dito tem a data do adeus marcada.
E isso não muda. Talvez apenas já tenha ultrapassado a ideia de que é definitivo, de que a ligação que se criou acaba ali. O tempo ensinou-me que estava errada, porque muitas pessoas ficam na minha vida e deixam-me ficar na nelas.
Alunos que se transformam em amigos.
E por isso o dia de hoje, da despedida, é mais tranquilo, mais bonito e transforma-se em apenas mais uma (muito importante) partilha.
Os encontros vão continuar. Por ai, na vida.
Quem entra na nossa vida, nunca vem em vão.

Até logo, malta.
Que a vida vos permita a oportunidade e que vocês saibam reconhecê-la e mostrar a capacidade.

See you around. 💚

Fizemos este vídeo há uns anos e, por isso estes alunos já são diplomados. Permanecem. Eles e o que sentimos uns pelos outros.









26 de abril de 2016

ela faz cinema*

Hoje fui à tua procura. Fingi que tinha coisas a fazer por ali, na rua por onde andas. Fingi a mim mesma, pois não preciso fingir a ninguém. Fingi que precisava mesmo muito de ali ir. E fui. Devagarinho, para dar mais tempo à oportunidade de nos encontrarmos. Mas a fatalidade do destino foi madrasta comigo. Fiquei a pensar que não era boa hora para ter ido. Fiquei a pensar que amanhã terei que fingir novamente que preciso de ali ir, mas amanhã já sei que vou precisar de fingir que preciso de ali ir mais tarde. À hora do lanche. A essa hora terás concerteza que sair e terás concerteza que passar na mesma rua onde eu estou a fingir que tenho coisas a tratar. E vou-te ver. Sei que sim. Sei que te vou ver e sei também, com a mesma certeza, que tu me vais ver. Vais-me olhar. E, nessa altura, eu vou fingir que não te vi, porque nessa altura eu vou ter a certeza que tu sabes que eu não tenho nada a tratar ali e que estou só a fingir a mim mesma que tenho de ali ir tratar de uma hipotética coisa muito importante. Vai ser assim. E vou, novamente, fingir que não és importante para mim, que nem te reparei, ou que sou arrogante porque te reparei e não te falei. E sei também que nunca saberás que eu só fingi que não te vi porque estava ali a fingir que tinha uma coisa importante a fazer naquela rua, naquela hora e que tu sabias que eu não tinha mais nada que fazer ali senão ver-te, sofrer-te, querer-te e perder-te rua abaixo. 



*Chico Buarque

24 de abril de 2016

sushi não é para meninas

A Mia não se calava com ir experimentar sushi. Está-me a parecer que agora vai ficar calada durante uns tempos.


7 de abril de 2016

kiwi karl

Já há uns meses valentes que não recebíamos couchsurfers, simplesmente porque não sentíamos que nos apetecesse.
Há umas semanas o Karl mandou mensagem a dizer que era da Nova Zelândia e estava na estrada, viajando à boleia, há cerca de um ano. Aceitámos na hora! A empatia é assim. Andei a trocar mensagens com ele sobre a vinda para Portugal até que ontem chegou, já noite adentro. Os miúdos estavam ansiosos de o ver, talvez por vir do outro lado do mundo, onde nós queremos tanto ir!
Hoje passou o dia aqui por casa a descansar das 12 horas de viagem desde Madrid e ao final do dia demorámos a jantar, enquanto ouviamos as histórias sobre as pessoas que já conheceu. É engraçado como as pessoas que se assumem como viajantes, que é bastante diferente de ser turista, falam mais de pessoas e menos de lugares.
Podem seguir a sua aventura aqui.
Entretanto, vai embora hoje para um festival em Fronteira e volta para ficar mais uns dias na próxima semana. Prometeu cozinhar e se se sair bem, acho que o vou adoptar.







1 de abril de 2016

escombros

Encontrar tempo para apenas estar.
Numa semana que começou em ruínas, hoje deitei-me no banco ao sol sem mais nenhuma intenção além do calor.
Renascer após o doutoramento tem se tornado numa tarefa tão dura quanto foi morrer nele. Pensava que depois voltava tudo ao que era, mas nada voltou. Obviamente, um erro meu. Nunca voltamos ao que já não somos. Durante algum tempo tentei mascarar aquilo que sabia. Enchi o meu vazio de escolhas sem sentido e vim cair, trôpega do mundo, nesta semana.
É tempo de me sentir e reinventar. Perceber quem sou agora e quem quero construir para o futuro. Ser além disto tudo que me rodeia e me diz tão pouco. Me faz tão pouco. Nada. Quem resta depois do doutoramento, da escola, dos filhos? Perguntaram-me o outro dia. Estava sentada numa cadeira de plástico a olhar para um homem que acabava de conhecer. E tive que lhe dizer "nada". Tive que dizer em voz alta para o som bater nele e voltar para mim. Vim de lá a pensar nele. Mantenho-me a pensar nele. A realidade tal como a olhava deixou-me, porque não me servia, e desta desordem de sentires que me invadem há-de aparecer a resposta. Há-de haver lugar ao esquecimento e há-de haver lugar a arrumar todos os pensamentos que me inundam. Um dia, lá mais à frente, depois das questões, chegarão as respostas. Hei-de voltar aquela cadeira de plástico para lhe responder que depois de tudo, resto eu.



26 de março de 2016

das pessoas que permanecem

Por mais tempo ou mais distância existem pessoas que permanecem. Transformam-se num lugar onde podemos ir e simplesmente estar. Transformam-se num espaço que é nosso. Cheio de nós e de cada uma. Há um protocolo. Uma sugere o encontro, outra decide onde é e outra chega (sempre) atrasada! Sentamo-nos e ao início falamos à vez, sem atropelos. É preciso antes de qualquer outra coisa, fazer o ponto de situação. A ordem de falar é quase sempre a mesma e respeita a personalidade de cada uma. Só depois é que começamos a dar atenção ao que nos rodeia, aos outros, à música ao vivo, ao que queremos comer e às horas. Normalmente quando damos atenção às horas, passaram muitas. Mais do que esperávamos. Como os anos que temos juntas. Passaram muitos. Sem que déssemos por eles.




8 de março de 2016

olharapa

Faz agora mesmo a esta hora 15 anos que me rebentaram as águas e eu nem sabia o que me estava a acontecer. Ao longo do dia hão de fazer 15 anos que penei, como não achei que fosse possível, até às oito da noite à tua espera. Tirei um curso intensivo sobre o que é fazer nascer alguém ao natural, com presença do tão falado parto de rins. Até que apareceste. Eras amarela, careca e tinhas dois faróis na cara. E eu não fazia ideia do que era aquilo que tinha acabado de me acontecer. Olhavas na minha direcção, sorumbática. Eu queria achar-te graça, dizer coisas bonitas, sentir coisas especiais. Mas só sentia medo. No outro dia de manhã, a enfermeira veio dar-te banho e deixou-te em cima da cama, indo-se embora como se me pudesse deixar ali abandonada contigo. Assim sem mais nem menos. Assim sem me explicar o que te fazer. Continuavas a olhar-me fixamente. Macambúzia. Voltei a sentir medo.
Quando te levei para casa descobri que não vinhas para cumprir o papel que se espera dos bebés. Vinhas para dormir, comer e não fazer o que se esperava que um bebé fizesse. Brincadeiras de bebé recebiam olhares secos e desinteressados. Às vezes suspiravas de fastio. Fazias esgares, mas acho que eram mais espasmos que tentativas de cordialidade. Nunca gatinhaste, mas um dia levantaste-te e começaste a andar sem cair, como se andasses a praticar às escondidas enquanto a malta dormia. Nunca tentaste palavrear, mas um dia começaste a falar como se lesses na missa todas as semanas. Uma vez, quando tinhas três anos, perguntei-te se conseguias abrir-me uma porta porque ia carregada, respondeste "obviamente que não". Há adultos que não sabem que a palavra obviamente existe. Não compreendias as terminações fofinhas das palavras e por isso para ti existiam galas em vez de galinhas, golfos em vez de golfinhos, cornos em vez de cornetos. Mariquices para quê, certo?
Enquanto crescias as pessoas que lidavam contigo, pediam-me para não ser tão exigente com a menina. E eu pensava que o que eu queria era que a menina não fosse tão exigente comigo. Há muitas coisas que não fazes bem. Basicamente, todas as que não te interessam. O resto, não há nada que não faças de forma exemplar e única. E assustadora. Ouvir-te fazer planos sobre como te vais organizar para alcançar que queres é admirável. O empenho que colocas em tudo o que fazes, a determinação com que segues caminho, a maneira como te questionas e ao que te rodeia são admiráveis. Tens penado um bocadinho por causa disso. O pacote de personalidade que te calhou tem tanto de obstinado quanto de sensível. Os olhos, que de grandes que são não fecham completamente quando estás a dormir, só têm equivalência com o teu coração. És uma peixa de verdade. Uma mulher que nasceu no dia da mulher e que vem para ter uma voz. Uma mulher do mundo. És a minha filha. Ensinaste-me a ser mulher. Ensinas-me todos os dias que o difícil vale mais a pena. Continuo com medo. Que o mundo te falhe. Que os outros te magoem. Que a vida não te entenda. Que te feches. Principalmente, tenho medo que não te descubras. Que não percebas a força que tens. Que não vejas que és especial e que talvez por isso muitas vezes mal compreendida. Tenho medo. Que não saibas o quanto te amam. Que não percebas o quanto a serenidade e silêncio com que observas as coisas do mundo e da vida são encantadores. Que não vejas como a tua marca fica no coração de quem te recebe. Que não percebas a força que a segurança com que te afirmas e te defendes te dá. Que não valorizes a tua capacidade de lutar pelo que acreditas e a convicção que tens de que precisas sempre de ser além do que és. Possa a vida, minha filha, trazer-te todas as respostas que tanto procuras e todo o amor que mereces. Possam os dias dar-te a alegria, o entusiasmo e a presença que tu dás a tudo o que acreditas. Possam os outros ver além do que se vê, para que descubram o infinito da tua doçura. Possas tu, minha filha, dar tempo a ti própria para sentir a brisa dos dias.
Chamei-te Margarida. Mas quiseste ser Mia. Como em tudo. Sabes o que queres e quando queres. És a minha pequena heroína que me salvou da melancolia e me disse que não fazia mal entregar o coração nas mãos de outra pessoa. Parabéns, Pipoca Mi.